18 de julho de 2017

Suggestion

I think you should know,
'Cause when your eyes glow
You don't want to go.

I think you should stay,
'Cause when our bodies play
There is nothing more to say.

I think you think of me,
In a room drinking whiskey,
How thoughts drift easy.

Don't think anymore.
If you want, I'll implore.
Explain the metaphor.

I think you should stay,
'Cause when our bodies play
There is nothing more to say.

12 de maio de 2017

LONDON BEASTS

Vagabond foxes Alley cats lone wolfs
Under the full moon
Whispers in the night
Silent footsteps
An ancient howl
Echoes in London.

Hot wine smooth
Skin smell of
Hair wet fur
Meadows cities railroads
Light and dark tamed
Animals birds of prey

No return from where
The Beast lies and waits
Clearing in the woods
Dancing by the fire
Candlelight veiled secrets
Open eyes watching.

- I am a predator scavenger of cemeteries
Madhouses insomnia febril
Dreams coming true.

- I am the power
To satisfy your desires
Granting gifts to whom
Is not there, the peace
Following all lamentations.
I speak the tongue of man and ride
The skin of women.

- I am the falcon that lives
In every wild thing.
When you make love
I am beside you
And inside you too.

The fox in the darkness
Hunts and dies on the teeth of wolf or man.
So get your share of this earthly banquet
And drink to me While you can.

Who will be waiting,
When the party is over,
To put you to rest eternally on their bed?

2 de setembro de 2016

O menino Brasil



O Brasil é uma criança triste que dá vontade de embalar até dormir.
É país um país menino de rua, que cativa com um sorriso bonito e depois te assalta.
Uma nação que luta consigo mesma.
Forjada de diferentes metais,
É uma mistura que não aceita a diferença, nem a si mesma.

Enquanto dorme, o Brasil sonha com o futuro.
Mas não lembra o passado e se perde no presente.
Um vira-lata magro que apanha na rua, mas tem fé e diz que Deus é brasileiro.
É uma gente humilde, que sabe o seu lugar,
E uma mão de ferro pra controlar a festa.

O Brasil tem carnaval, muita terra e injustiça até perder de vista.
Tem praia pra alugar, mulata pra namorar
E muita vontade de comprar.
Os portugueses trocaram por uns espelhinhos,
Que deram pros ingleses, pra pagar roupas da moda e os africanos.

Os ingleses perderam por aí, acho que numa guerra, e já nem sei quem é o dono desse país.

Mas deve ter dono, pois sempre tem um segurança na porta que não me deixa entrar no shopping center.

O poeta disse que o Brasil não é para amadores.
Amar à pátria é difícil. Ame-o ou deixe-o.
O país do futebol, onde a vida é uma partida, que perdida, vale menos do que um jogo da seleção.

Quando tarde da noite me lembro do meu país, me sinto como ele, sozinho na rua, esperando o abraço da pátria mãe gentil, debaixo de uma marquise.

Londres, 2016.

25 de setembro de 2015

CARAÍVA

Perdido na praia o dia todo
com os olhos pregados
em suas curvas morenas.

As nuvens rolavam assim,
Enquanto ela descobria o seio
Para o filho mamar mais.

Como índios,
Esperamos a noite cair
Para um banquete no escuro.

Fazer amor com a lua -
Preguiçosamente -
E dançar ao som da sanfona
E do triangulo, até amanhecer
Na praia. Encontro do rio
com as águas do mar no mangue.

18 de abril de 2015

BEIJO COM PIMENTA
Julho de 2013

-Me beija antes de jogarem mais spray de pimenta!
Ela me pedia acuada em um bar na Lapa,
Enquanto a multidão corria
Enquanto nossas bocas queimavam e nossos olhos ardiam
As bombas caiam, pessoas caindo, bandeiras caídas, por que não cairíamos também nós,
Numa ilusão de mudança - um sonho de paz – que era pólvora pura?

A rede social botou todo mundo junto ao mesmo em todo o lugar.
Paramos o Brasil para fazer amor nas avenidas,
Mas depois de algumas vezes descobrimos que somos muito diferentes.

A separação não foi amigável, queimamos nosso ninho e fugimos
Da carrocinha como cachorros loucos, raivosos e sarnentos.
Já não podemos jogar as máscaras fora e quando o Choque marcha...

Tontos pelo gás lacrimogênio, pasmos se perguntam em que ano estamos.
- Vamos voltar às ruas? Se fugirmos para onde podem levar isso?
Eu não sei responder, então a beijo para não chorar.
Rio de nervoso

O Rio de Janeiro
Em fevereiro ferve.
É feito sexo, samba,
Suor, cerveja e
Água do mar.

É povoado de gringos
E mulatas, prostitutas,
Travestis, traficantes,
Malandros da Lapa.

É um sonho cyberpunk:
Andróides sexuais,
Fausto Fawcett,
Fuzis e granadas caseiras.
Um gozo desesperado
No meio de um tiroteio.

Mas é cidade romântica,
Oferece um amor
Em cada esquina,
Uma moça de Vinicius
E uma noite de Noel Rosa.
Dá gosto passear por suas ruas
Como fazia o João do Rio.

Juntando essas duas partes
Temos um ansioso bipolar.
Entre alegrias de carnaval
E o medo das balas perdidas,
Precisa de farmácias sempre abertas
Repletas de calmantes e soníferos;
Muitos bares para rir ou chorar
E igrejas que vendem o sucesso
Em pequenas prestações.

O Rio vibra com uma gargalhada
Histérica. Riso de nervoso.





19 de outubro de 2014

Ladrão de horas

Quem roubou a meia-noite?
Quem furtou as horas dos amantes,
Usurpou os sonhos dos poetas
E fez cal do orvalho distante?
Era meia-noite e meia
A hora marcada por você
Para me dar uma madrugada,
Mas já não há mais como.
A noite a tudo envolveu.
Em seu silêncio, espreita
Algo faminto por minutos
E momentos que não vivemos.

12 de julho de 2014

ESPELHOS E FUMAÇA

Observo esse xadrez de partida tão antiga
Sem saber se os blocos negros ganham o jogo.
Já não entendo a mensagem das torres de marfim,
Sem ouvir o que não pôde ser escrito.

Entre espelhos e fumaça, não distinguo contornos
Dessas peças que tento em vão encaixar.
Vejo reis, sem enxergar os jogadores,
Que se oferecem para logo desferir o golpe fatal,
Com um cavalo esquecido ou aquele bispo distante.

Afinal, nunca foram apenas dois nesse jogo
E até as rainhas - de ambos os lados -
Se movem como que por vontade própria
(Ou ficam imóveis), mas são impulsionadas
Por motivos e forças desconhecidas:
Tradição, dívidas ou luxúria insaciável.

Por trás de espelhos e fumaça, estão as sombras
Onde se esconde quem transformou a vida
Nesse xadrez estampado nas páginas dos jornais,
Em livros de história, falências generalizadas,
Revoluções frágeis, guerras longínquas
E armas de destruição em massa.

Não nos deixam reconhecer os corpos
Refletidos nas vidraças quebradas.
Não é possível apurar fatos apagados
Pelo fogo a destruir sobrados do passado.
A verdade se perdeu nesse labirinto
De espelhos encobertos por fumaça.

Para achar algum sentido nesse xadrez sem fim
É preciso olhar fundo nos olhos do seu reflexo
E ver a única fronteira em jogo nessa batalha
Tão repetitiva: a liberdade da sua mente.

As pedras não têm mais cores por baixo da fuligem.
Os movimentos - à direita ou esquerda -
Já não levam na mesma direção que apontam.
Mentiras invertidas se tornaram a regra
E só nos restou assistir a mais um jogo
Através de espelhos (de plasma) e fumaça (das bombas).

Quando tomba um rei sobre o tabuleiro,
Outro déspota logo vem para tomar o trono,
Mas os blocos negros e os peões brancos
São dois lados da mesma moeda, opostos complementares.
Quando saem de suas casas para vencer o inimigo,
Não sabem quais vitórias suas ações -
Contorcidas em espelhos e veladas por fumaça -
Irão por fim engendrar.

Deixo essa disputa para bispos negros
E os quatro cavaleiros - até o fim do mundo...
Que todas as peças caiam, os espelhos se quebrem
E a fumaça se dissipe diante nossos olhos!